Sexta-feira, Maio 16, 2008
Quinta-feira, Maio 15, 2008
Qual eh coisa, qual eh ela

...que so acontece de 11 em 11 anos? Quem souber a resposta leva o beijo repenicado da semana.
Quarta-feira, Maio 14, 2008
Tem outro nome, bem feio
O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, defendeu ontem no Parlamento que a violência doméstica não deveria ser crime público. Este modelo inviabiliza a desistência do processo ainda que a vítima assim o pretenda, argumentou o bastonário, pedindo que se deixe às vítimas o poder de acusar ou não. Numa audição na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, António Marinho Pinto invocou a sua experiência como advogado para afirmar que já teve um caso em que um casal se reconciliou durante o processo. Pelo que "teve de se fazer umas vigarices" para evitar que o arguido fosse condenado, acrescentou. O advogado apontou ainda um "feminismo entranhado" nas leis.
Hum...
Vejamos, assim rapidinho e de cor:
- o Codigo Civil Portugues preve um prazo inter-nupcial que se mantem de 180 dias para homens e 300 dias para mulheres que pretendem casar novamente
- a lei de reproducao medicamente assistida, aprovada em 2006, impede-me de ter 1 filho/a a menos que eu seja casada ou esteja em uniao de facto com um homem
- a definicao de casamento civil, no Codigo Civil Portugues, obriga-me a casar com um homem se quiser entrar para a categoria de "casada"
- o aborto a pedido da mulher so eh permitido em Portugal desde 2007
- o Codigo Deontologico dos Medicos (artigo 54, numero 3) obriga a autorizacao do conjuge no caso de querer laquear as trompas
etc, etc, etc
Pode ser que seja so eu a ver isto mal, mas o que me parece entranhado na lei eh mais heteronormatividade, (hetero)sexismo e machismo do que feminismo. Alias, parece ate anedotico dizer-se que feminismo esta entranhado onde quer que seja, excepto na alma casmurra e brava de algumas e alguns activistas com quem me identifico sem hesitacoes.
Desejo que isto tenha sido apenas um engano ou uma transcricao grosseira daquilo que foi de facto dito por Marinho Pinto. Se nao for, valha-nos Deus.
Terça-feira, Maio 13, 2008
Update de Londres
Foi uma semana intensa, mas recheada de coisas boas. Como os almocos sentada na relva da Gordon Square, em sandalias e top, como se fosse verao; os restaurantes vietnamitas e turcos de Hackney; e as escapadelas ao Soho. Mas dois momentos se destacam nesta minha semana de ausencia bloguistica:
Descobrir Ibsen, e a sua The Lady from the Sea, numa peca fenomenal no Arcola Theatre.

Ir ao Piccadilly Theatre ver o Grease.

Eta, coisa boa. E agora, de regresso a Portugal por 2 meses, venham dai esses pasteis de Belem, jantaradas com @s amig@s de sempre e, claro esta, o Rock in Rio. Upa-upa.
Descobrir Ibsen, e a sua The Lady from the Sea, numa peca fenomenal no Arcola Theatre.

Ir ao Piccadilly Theatre ver o Grease.

Eta, coisa boa. E agora, de regresso a Portugal por 2 meses, venham dai esses pasteis de Belem, jantaradas com @s amig@s de sempre e, claro esta, o Rock in Rio. Upa-upa.
Domingo, Maio 04, 2008
Lovely British weather (and the rest of it)
Em conversa com tugas, as coisas mais recorrentes quando vem 'a baila o facto de estar a viver em Inglaterra eh "Xiii, o tempo eh que deve ser o pior, ne?" (ou "a comida eh horrivel, ne?" ou "as pessoas nao sao nada simpaticas, ne?" - e isto do "ne?" eh importante para contribuir para a minha irritacao porque nao, nao eh nada-nada assim). Calmamente tenho ido explicando que nao me posso queixar destes males, que se Dezembro eh merdoso ja Abril eh um encanto, que por acaso ate gosto de aqui estar e nao sinto grandes ansiedades relativas ao tempo (nem ao resto, as it happens). Pois bem, foi num sabado perfeito, depois da semana aflitiva, que fui fazer uma caminhada pelo canal de Rodley, a 10 minutos de casa. E a 10 minutos de casa, o meu mundo despertou assim...
Ainda em casa, Cam, a feiticeira do meu jardim:

No canal de Rodley, os bichos:


E as explosoes de cores:



Ja em Leeds, no campus universitario, mesmo em frente ao Students' Union:



Eu estava em t-shirt. A maior parte das pessoas com quem me cruzei estavam de bicicleta, a passear caes ou a pilotar os barcos do canal. Muitas me sorriram e cumprimentaram quando se cruzaram comigo. Tudo estava calmo e em paz e eu senti-me particularmente bem neste canto do mundo. Talvez isto vos convenca a dar um pulinho ca um destes anos...
Ainda em casa, Cam, a feiticeira do meu jardim:

No canal de Rodley, os bichos:


E as explosoes de cores:



Ja em Leeds, no campus universitario, mesmo em frente ao Students' Union:



Eu estava em t-shirt. A maior parte das pessoas com quem me cruzei estavam de bicicleta, a passear caes ou a pilotar os barcos do canal. Muitas me sorriram e cumprimentaram quando se cruzaram comigo. Tudo estava calmo e em paz e eu senti-me particularmente bem neste canto do mundo. Talvez isto vos convenca a dar um pulinho ca um destes anos...
Segunda-feira, Abril 28, 2008
Uma semana daquelas

daqui
Bom, estou com todos os sentidos alerta, horarios de sono reduzidos ao minimo necessario para me manter em (bom) funcionamento, munida de salgadinhos e bombay mix e noodles e Werther's original e pastilhas de canela e tudo o que me possa dar energia e inspiracao. Os proximos 5 dias vao ser uma maratona com esta minha tese, sem tempo sequer para ir ao supermercado (para comprar mais bombay mix, claro). O que ate pode ser uma bencao, tendo em conta a noticia de que um ex-colega de trabalho de uma grande amiga foi encontrado ha dias, morto, em casa, em Leeds, onde aparentemente partes do seu corpo foram cortadas e cozinhadas. Yap, literalmente. Isn't my life exciting? Mhaaaam.
Sexta-feira, Abril 25, 2008
Quinta-feira, Abril 24, 2008
Dos poleiros
O menino guerreiro resolveu voltar a balbucear chu-pe-ta, a ver se se alguem lhe da colinho mais uma vez. Nao nos faltava mais nada. Esta saga do PSD comeca a parecer uma ma novela.
Assim, ate apetece
Um pouco só de Goya: carta a minha filha
Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos: iguais. Na metáfora dada
pela infância, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de razão nessa cadeia em sonho de novelo.
Hoje, nesta noite tão quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo,
e que o teu tempo ao meu se seguirá.
Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda às vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas - é sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua
de mentiras, em carinho de verso.
E o que queria dizer-te é dos nexos da vida,
de quem habita para além do ar.
E que o respeito inteiro e infinito
não precisa de vir depois do amor.
Nem antes. Que as filas só são úteis
como formas de olhar, maneiras de ordenar
o nosso espanto, mas que é possível pontos
paralelos, espelhos e não janelas.
E que tudo está bem e é bom: fila ou
novelo, duas cabeças tais num corpo só,
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio
ameaçando chamas muito vivas.
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura
se transformou castanho, ainda claro,
e a metáfora feita pela infâncias
e revelou tão boa no poema. Se revela
tão útil para falar da vida, essa que,
sem tigelas, intactas ou partidas, continua
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo.
Não sei que te dirão num futuro mais perto,
se quem assim habita os espaços das vidas
tem olhos de gigante ou chifres monstruosos.
Porque te amo, queria-te um antídoto
igual a elixir, que te fizesse grande
de repente, voando, como fada, sobre a fila.
Mas por te amar, não posso fazer isso,
e nesta noite quente a rasgar junho,
quero dizer-te da fila e do novelo
e das formas de amar todas diversas,
mas feitas de pequenos sons de espanto,
se o justo e o humano aí se abraçam.
A vida, minha filha, pode ser
de metáfora outra: uma língua de fogo;
uma camisa branca da cor do pesadelo.
Mas também esse bolbo que me deste,
e que agora floriu, passado um ano.
Porque houve terra, alguma água leve,
e uma varanda a libertar-lhe os passos.
- Ana Luísa Amaral -
Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos: iguais. Na metáfora dada
pela infância, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de razão nessa cadeia em sonho de novelo.
Hoje, nesta noite tão quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo,
e que o teu tempo ao meu se seguirá.
Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda às vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas - é sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua
de mentiras, em carinho de verso.
E o que queria dizer-te é dos nexos da vida,
de quem habita para além do ar.
E que o respeito inteiro e infinito
não precisa de vir depois do amor.
Nem antes. Que as filas só são úteis
como formas de olhar, maneiras de ordenar
o nosso espanto, mas que é possível pontos
paralelos, espelhos e não janelas.
E que tudo está bem e é bom: fila ou
novelo, duas cabeças tais num corpo só,
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio
ameaçando chamas muito vivas.
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura
se transformou castanho, ainda claro,
e a metáfora feita pela infâncias
e revelou tão boa no poema. Se revela
tão útil para falar da vida, essa que,
sem tigelas, intactas ou partidas, continua
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo.
Não sei que te dirão num futuro mais perto,
se quem assim habita os espaços das vidas
tem olhos de gigante ou chifres monstruosos.
Porque te amo, queria-te um antídoto
igual a elixir, que te fizesse grande
de repente, voando, como fada, sobre a fila.
Mas por te amar, não posso fazer isso,
e nesta noite quente a rasgar junho,
quero dizer-te da fila e do novelo
e das formas de amar todas diversas,
mas feitas de pequenos sons de espanto,
se o justo e o humano aí se abraçam.
A vida, minha filha, pode ser
de metáfora outra: uma língua de fogo;
uma camisa branca da cor do pesadelo.
Mas também esse bolbo que me deste,
e que agora floriu, passado um ano.
Porque houve terra, alguma água leve,
e uma varanda a libertar-lhe os passos.
- Ana Luísa Amaral -
Terça-feira, Abril 22, 2008
A ler

img daqui
Um paragrafo spot-on sobre amor, ruptura e persistencia. A ler, ja, esta melhor metade, pelo Carlos Barradas.









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